Sábado, 20 de Junho de 2009

Ai, ai, ai , ai, ai

Desde de o começo dos maiores acontecimentos do últimos tempos da sua vida, vem tentando exercitar uma coisa com o qual sempre teve uma dificuldade especial: a paciência. "- Não vai ser fácil, pelo fato de você estar muito doente, você ainda é muito jovem para aceitar, é normal não ter paciência nessa fase"-... nem na próxima, nem em nenhuma outra-. Pois é, depois de tanto tempo querendo ou não, sendo obrigada ou não a exercitar a sua amiga paciência, mesmo assim ainda é difícil. Algumas/muitas coisas ainda têm que mudar, e uma delas é a paciência. O paciente não é paciente. O paciente não gosta de ser paciente e muito menos gosta de voltar a ser paciente.
Semana passada ela fez uma tomografia, no tórax, para analisar um inchaço em uma das regiões na qual havia doença antes do tratamento. Claro, tudo foi muito traumático e logo veio na cabeça tudo aquilo qua havia passado, não enterrado, mas coisas que foram deixadas de lado por esse tempo. O resultado mostrou uma pequena alteração, mas nada demais e logo mais, no comecinho de julho volta a fazer o PET/CT.
O guru e Sr. Miyagi foram cautelosos e tranquilos, afinal "aperreio" não vai ajudar muito, então só resta ter fé e paciência e esperar o dia do exame e o dia do resultado do exame.

Isso a fez refletir sobre coisas que ainda não tinha nem contado com a possibilidade de acontecer, como as consequências de um tratamento tão pesado. Quando saiu daquele hospital, depois do transplante, o vento frio e toda a alegria do mundo tomavam conta dela. Estava pálida, careca e quase irreconhecível para muitas pessoas, até para ela mesma. Naquele dia pensou consigo mesma: Nunca mais vou passar por nada parecido na minha vida. Eu estou viva, livre, completa.

Os fantasmas do câncer vez ou outra voltam para assombrar. Mas as marcas que ele deixou a tornaram muito maior do que ele mesmo.Tem fé, tanta, que nem mesmo a memória de toda a dor a ultrapassa.

Agora, espera com todas as forças, espera em Deus, que dê tudo certo, que tudo continue dando certo e que possa viver os seus dias da melhor forma possível, ou impossível.

>>>Acontecimento recente referente aos cabelos novos: Ela está almoçando na casa da avó. A tia, prima e mãe começam a falar do seu cabelo (isso virou rotina). Sua tia-avó que está do lado olha pra ela e diz: Teu cabelo tá nascendo assim mesmo é? (Olhar de espanto) Eu já ia perguntar como é que tu 'tava' fazendo para enrolar ele...

"Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize." João 14.27


Quando vejo Lulu desse tamanho eu me sinto tão velha, isso é normal?:)

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Alavantúúúú

Oi gente que 'tá' de férias (ou não),

Pode ser São João, pode estar chovendo, pode estar chato sem nada pra fazer, ou tão ocupado, sem tempo pra nada, mas queria fazer tudo. Pode estar gordo demaais para usar roupas mínimas na praia, ou tão magro que cabem sete anões na sua calça. Mas nada importa, porque é tempo de férias. Um clima diferente. De descanso. É tão forte que mesmo que você não esteja, a felicidade alheia vai te contagiar. Essas coisas não se explicam. Os últimos dias antes desse momento maravilhoso são os piores, como um teste, para ver se você merece mesmo. E agora que chegou, você recebe a recompensa. Seu suor, neurônios queimados, 'bundas quadradas' na cadeira, olheiras e mau-humor agora entram de férias.

Aquele livro que você não leu agora vai ter chance, aquele amigo que estava incomunicável agora volta ao normal, a não ser que o seu normal seja ser incomunicável, neste caso ele está anormal. As mães vão adorar ficar um mês inteirinho com as crianças hiperativas procurando o que destruir. Os cinemas vão lotar, os engarrafamentos vão diminuir. As pessoas com filhos estarão mais bem- humoradas, por que vão dormir mais, por que os filhos não vão ter aula. Os parques enchem, e as praias nem se fala, mesmo se chover.

Aqui é época de quadrilhas de bairro, fogos sem parar e comida de milho, todo tipo de comida, acreditem. Quando era mais nova, costumava assistir as quadrilhas na rua da minha avó (não me critiquem, lá não era muito animado). As crianças faziam fila para entrar no pula-pula, que eu parei de ir quando o moço começou a me barrar por causa do meu tamanho, agora só posso entrar na cama elástica :). As meninas usam maquiagem carregada e cantam gritando e as pessoas só ficam na rua esperando alguma coisa acontecer. Típico.

Pois é, as férias chegam com gostinho de canjica, pamonha e milho verde.

>>Depois do calabouço, a otite. Eita mazela!!

As primeiras férias depois das 'grandes férias'. Maravilha!



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"Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas." Mateus 11.29



se essa rua fosse minha...

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

Da praia ao calabouço

Baixinhos e baixinhas,

E ela com certeza vai para o calabouço depois que o Guru souber o que aconteceu. A inocente corrida, leve corrida, porém corrida, lhe rendeu algumas "dores" e consequentemente sustos durante a semana. Agora a vida sedentária vai ser por ordens médicas e toda a evolução dos exercícios provavelmente vai ficar na memória (drama!). Passou três dias meio "grogue" pelos comprimidos a base de morfina e agora tem noção de como os remédios que tomava eram fortes, por que agora ela tomou os remédios e teve que sair de casa e sim, são fortes. Mas graças a morfina ela se sente nova e agora que as dores já passaram ela se pergunta como o Guru vai reagir. Mas ele é um cara legal e nada pode ser pior do que as dores que já passaram. Então, se não voltar a escrever em pelo menos uma semana, saibam que ela estará no calabouço, o submundo dos pacientes que fazem besteiras. Junto com os que comem feijoada e doces, mesmo com a dieta restrita prescrita. Onde estão os loucos que vão para o shopping com defesa baixa e que atrasam os remédios. Eles serão felizes e punidos. Eles são os responsáveis pelas noites mal dormidas dos médicos e enfermeiros. Eles são as ligações no meio da noite. Eles são a dor de cabeça de qualquer parente sofrido.

Em off 1: Dessa vez eu fui o terror do Sr. Myiagi, ele pensou que havia se livrado das minhas ligações durante a noite, tolinho:)

Em off 2: Miguel põe as asinhas pra fora e mostra quem é de verdade. Meio-bebê-meio-vampiro, troca o dia pela noite e tem preguiça até para comer (isso é de família?)


Depois do roubo no ateliê, designer mostra que além de designer é "brother"










Nem tão loucos assim

"Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" Mateus 16.26a

Sábado, 30 de Maio de 2009

Não foi a cegonha

Ela coloca as batinhas e e touquinhas. Protege seu sapato sujo e põe a tal máscara verde, mas agora é por outro motivo, muito mais legal, eu garanto. Quando entra na sala, lá está a maior barriga dos últimos meses, enorme. O médico pergunta se ela tem certeza que quer assistir tudo de perto, porque ela está muito perto e a enfermeira alerta que se ela passar ma é melhor se encostar na parede.-Ah! Não encoste em nada cinza, para segurança da paciente. A essa altura ela já não estava tão paciente. O peso, a fome e as dores não eram tão mágicas como na tv e nas revistas sobre gravidez, muito menos como Claudinha Leite dizia no blog. Alíás, acho que no caso dela foi uma cegonha mesmo que trouxe o bebê. Enfim... Lá se vai a primeira camada, a pele. Ela pensou que ia passar mal, desmaiar ou qualquer reação do tipo, mas já assistiu tantos programas de cirurgia que ficou mais preocupada em saber como era de perto tudo aquilo que via na tv, e é igualzinho. Segundas e terceiras camadas até chegar no útero. Até que cortado o útero saem jatos de líquido amniótico*. Ela pula fugindo e arregala os olhos já impacientes para ver o bebê. A cabeça. O choro. Foi difícil mas nasceu. Fez pose pra foto e biquinho. Foram minutos preciosos que nunca serão esquecidos.
De noite deu tanto trabalho como dava na barriga e agora vamo esperar para ver com que se parece mais . Chegam os primos enlouquecidos pra ver a carinha dele e carregá-lo, é claro e ela pensa que agora é mais um para fazer bagunça na casa da avó e brincar de banho de mangueira nos domingos quentes e barulhentos. Ah família...

*Líquido amniótico é o fluido que envolve o embrião, preenchendo a bolsa amniótica e que desta forma o protege de choques mecânicos e térmicos.(blah!)

"Os teus olhos viram o meu corpo ainda informe; e no teu livro todas estas coisas foram escritas; as quais em continuação foram formadas, quando nem ainda uma delas havia." Salmos 139.16

Segunda-feira, 25 de Maio de 2009

De mala e cuia

Quarto pronto, roupinhas lavadas e muitas dores nas pernas. Mais um membro nasce na família e mais uma vez estão todos loucos para ver com quem ele parece, coisas desse tipo. Dessa vez eu vou entrar na sala de parto e registrar tudo, com direito a 'making of' e tudo mais. Se deixarem eu até corto o cordão umbilical e ponho em pratica meu curso-de-cirurgia-plástica-via-TV. O almoço do fim-se-semana foi meio no clima de despedida do barrigão mais badalado dos últimos tempos, digno de Cláudia Leite, né "Titia"? Miguel, quando chegar, não ache tão estranho todos esses loucos fazendo caretas e dizendo como vcoê parece com o seu pai. Não seja exatamente como a gente quer e não mexa nos brinquedos de Gabriel.

>> Na tentativa de fazer minha memória mais confiável, Felipe e seus exercícios inventados tentam me fazer lembrar de coisas da semana que acabou de acabar e eu já não lembro. Realmente isso é preocupante. Estamos no exercício "Lembre os filmes que já viu no cinema com seu namorado". Sério. Isso vocês não sabiam. Apaixonada por cinema, posso lembrar dos nomes dos atores e diretores. Se for bom , para recomendar, se foi ruim, para falar mal, se for muito ruim, para rir depois.

Hoje tentei correr na praia (ela é louca? --- sim, ela é), mas eu falei tentei, logo se eu consegui é outra história.
Sim, consegui, mas por poucos metros. Não foi uma maratona, mas também não paguei mico no calçadão. Foi um começo e como ainda é segunda-feira ainda tenho o resto da semana pra pensar se é isso mesmo que eu quero da minha vida. (drama).

PS.:Anninha, você não especial apenas pelo que vcoê passou e sobreviveu, mas pela pessoa por trás de todas essa provações. Deus te ilumine e alivie as tuas dores.
Semana passada fui num apresentação do Coro da UFPE e Contracantos numa Igreja no Antigo. Música belíssima. Lembrei muito de você... de você.

-- Anninha precisa da nossa ajuda, muito. Quem puder entre em contato pelo e-mail amigosdeanna@gmail.com .

http://amigosdeanna.blogspot.com/

"Por isso não desfalecemos; mas, ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova de dia em dia. Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória mui excelente; Não atentando nós nas coisas que se vêem, mas nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, e as que se não vêem são eternas." 2Coríntios 4.16-18


Olha quem está falando:)

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Maravilhosamente

Queridos leitores do meu coração,

Antes de tudo, agradeço sua paciência ao ler os pensamentos, desabafos, aflições e expectativas dessa pessoa que aqui escreve. Foram minutos longos na frente da tela e os dedos inquietos, que esperavam as palavras que transbordavam e enchiam a mim mesma de muita motivação nas horas difíceis.

Hoje, lendo o que escrevi há tempos atrás, entendo como foi importante registrar tudo o que passei. Eu não entendia essa necessidade, a de relembrar com detalhes, os menores. Agora, quando leio as postagens antigas, lembro das entrelinhas, das palavras que não foram escritas. O câncer foi o vilão e o mocinho dessa história. Senti na pele o que você pode estar sentindo agora, ou um dia pode sentir. Sei que você vai achar que é a única pessoa a se sentir desse jeito e mais ainda, sei que você não escolheu ou esperou estar assim.

A verdade é que demorei muito tempo procurando as palavras bonitas para descrever as coisas feias. Nunca soube falar do medo, da dor, da perda e do próprio silêncio. A pessoa por trás dessas letras existe, pelo menos nos meus pensamentos. Ela pulou obstáculos muito maiores do que ela. Todos os dias os dias corre em busca de respostas para perguntas que ainda não teve coragem de se fazer e espera que a caminhada seja longa. Longa e maravilhosamente boa.

"Não vos inquieteis, pois, pelo dia amanhã, porque o dia de amanhã cuidará de si mesmo. Basta a cada dia o seu mal." Mateus 6.34

>>o quadrinho que segue é a ilustração de mais uma consulta com o Guru e mais uma tentativa frustrada (se não conseguir ler é só clicar em cima e depois colocar o zoom)
quadrinho

Quarta-feira, 6 de Maio de 2009

menina sedentária de patins X calçadão

Estou eu aqui, espanando as aranhas e organizando casa, bem diferente do meu guarda-roupa.

>>>Ontem foi dormir decidida a acordar cedo e caminhar na praia, admite que tem sido "fulêra" consigo mesma. Acordou cedo, cedo até demais e dormiu mais um pouco. Depois Lolota deu aquele empurrãozinho: -Aproveita, tá cedo... o sol não tá forte ainda. Então saiu, e não achando suficiente colocou o patins(?) que ganhou do namorado na mochila e foi. Pensou que poderia parecer meio ridículo. Mas se existem "tiozinhos" de sunga, peito cabeludo e tênis com super-amortecedores ela poderia passar despercebida. Tolinha.
Ela desliza nos primeiros cem metros. Escuta da tia da barraca dizendo:- É isso mesmo! Ela acha que tá abalando. Duzentos metros, primeira curva, trezentos metros, ela está ofegante. Perde as contas dos metros e começa parar para pegar fôlego. Esqueceu a água, o telefone e o dinheiro e pensa: Me "lasquei"!. Não consegue cumprir a meta. Antes de chegar no tal lugar pensado ela fica sem ar. O sol vai ficando mais forte e ela veste uma camisa preta, não porque era legal, mas combinava com a bandana que cobria o cabelo-horrível-depois-de-acordar. Ela pára e pensa que não vai conseguir voltar de patins. Tira o singelo patins tamanho quarenta e um e guarda na mochila, põe o chileno laranja e volta pra casa se sentindo derrotada pelos metros que não conseguiu cumprir. Na briga menina sedentária versus calçadão da praia, a menina sedentária perde, e perde feio, porque assim que chegou em casa, desabou.
As histórias nem sempre têm finais felizes. Queria conseguir correr uma maratona e quando crescer ser aquelas tias super-saudáveis-com-um-corpo-legal. Mas Pepsi não é Coca e nem tudo é como a gente quer. Mas mesmo assim a gente tenta.

Acontecimento para não esquecer nunca mais:

Larissa pensa em dar uma escova no cabelo, cheia de esperanças para ver o tamanho do filhote tão querido, liga para a cabelereira e sugere a tal escova, sem aqueles negócios que danificam os fios, é só uma inocente escova. - É Larissa... eu acho que não, só daqui há dois meses, tá bom?

>>sem maiores comentários<<

"E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." Romanos 12.2


Gabriel fantasiado de Larissa